Tem vários créditos em simultâneo e sente que a prestação total já não encaixa no seu orçamento?
A consolidação de créditos costuma ser apresentada como a solução para simplificar tudo isto, mas antes de avançar, vale a pena entender bem o que ela realmente faz.
O crédito consolidado é uma reorganização financeira. Não cria dinheiro novo, não reduz o valor total que deve, e não resolve, por si só, um problema de gestão do orçamento. O que faz é reunir vários créditos num só, normalmente com uma prestação mensal mais baixa.
Isso pode ser exatamente o que precisa, ou pode não ser a solução certa para o seu caso.
O que o Crédito Consolidado realmente faz?
Quando junta vários créditos num só, o mutuante paga a dívida que tem junto dos credores atuais e passa a ser ele a receber uma única prestação mensal, normalmente com um prazo mais alargado e, em muitos casos, uma taxa de juro mais baixa do que a que tinha em produtos como cartões de crédito ou crédito pessoal.
O resultado imediato é visível: uma prestação, uma data, uma instituição.
Mas há um ponto que costuma ficar de fora da conversa: ao alargar o prazo, mesmo com uma taxa mais baixa, pode acabar por pagar mais juros no total ao longo do contrato do que pagaria se mantivesse os créditos separados e os liquidasse mais rapidamente. Vale sempre a pena perceber o que está por trás da prestação mais baixa. Em alguns casos, o prazo mantém-se semelhante e a poupança vem sobretudo da taxa de juro mais baixa; noutros, o prazo alarga-se para conseguir aquele valor mensal. Nenhum dos dois cenários é errado, o que importa é confirmar qual se aplica ao seu caso e comparar o total pago até ao fim do contrato antes de decidir.
Quando o Crédito Consolidado ajuda
Faz sentido considerar esta solução quando:
- Tem vários créditos com taxas de juro elevadas (cartões de crédito, crédito pessoal sem finalidade) e consegue reunir tudo numa taxa mais baixa.
- A gestão de várias prestações e datas está a gerar atrasos ou dificuldade de organização, mais do que um problema de capacidade financeira.
- A taxa de esforço está no limite, mas o seu rendimento é estável e suficiente para sustentar uma prestação única mais baixa de forma confortável. Como referência, quando o conjunto das suas prestações mensais ultrapassa os 35% a 50% do rendimento líquido, a folga para outras despesas essenciais começa a ficar demasiado apertada.
- Quer agir antes de atrasar pagamentos, não depois. Consolidar é mais fácil de aprovar e normalmente resulta em condições mais vantajosas quando ainda cumpre todos os compromissos em dia. Depois de entrar em incumprimento, essa porta fecha-se.
- Precisa de uma pausa temporária de fôlego financeiro – por exemplo, depois de uma despesa inesperada, e sabe exatamente o que vai fazer com essa margem recuperada.
Nestes cenários, a reorganização resolve um problema de estrutura, e a folga financeira que ganha pode ser usada para reforçar poupanças ou estabilizar o orçamento.
Quando o Crédito Consolidado não ajuda (ou pode prejudicar)
Há sinais que indicam que consolidar créditos pode não ser a resposta certa, ou pode até agravar a situação:
- O problema é o padrão de gastos, não a estrutura da dívida. Se os créditos atuais resultaram de despesas acima do que o orçamento permite, consolidar sem mudar esse padrão tende a repetir o ciclo – a margem que ganha na prestação acaba a financiar novas despesas, e o problema reaparece com uma dívida ainda maior.
- Já há sinais de sobreendividamento estrutural, como incumprimento ou dificuldade recorrente em cumprir compromissos mínimos. Nestes casos, a prioridade não é reorganizar, mas procurar apoio especializado, nomeadamente através do PERSI (Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento), que o seu mutuante é obrigado a acionar nestas situações.
- Não tem uma situação profissional e de rendimento estável e comprovável. Os mutuantes exigem estabilidade para aprovar a operação, tal como não aceitam, na generalidade dos casos, pedidos de quem já tem prestações em atraso.
- O alargamento do prazo dispara o custo total de forma desproporcional face à poupança mensal. Se a prestação desce 100€ por mês, mas o prazo duplica, pode estar a pagar milhares de euros extra em juros ao longo do contrato.
- Está a incluir crédito habitação com hipoteca e o valor total em dívida se aproxima do valor de mercado do imóvel. Nestes casos, é comum o pedido nem ser aprovado, porque o risco para o mutuante é demasiado elevado.
Afinal, consolidar créditos ajuda ou não ajuda?
| Fator | Ajuda a consolidar | Não ajuda a consolidar |
| Tipo de dívida | Vários créditos com taxas de juro elevadas (cartões, crédito pessoal) | Já há incumprimento ou sinais de sobreendividamento estrutural |
| Origem do problema | Dificuldade em gerir várias prestações e datas diferentes | Padrão de gastos acima da capacidade do orçamento |
| Rendimento | Estável e suficiente para a nova prestação única | Instável, ou insuficiente mesmo com prestação mais baixa |
| Momento de agir | Antes de atrasar qualquer pagamento | Já com prestações em atraso (dificulta ou impede a aprovação) |
| Objetivo | Simplificar e reduzir a taxa de esforço de forma sustentável | “Ganhar tempo” sem mudar o comportamento financeiro |
| Resultado esperado | Custo total mais baixo (TAEG e MTIC favoráveis) | Custo total mais alto, mesmo com prestação mensal reduzida |
| Garantia hipotecária | Capital em dívida claramente inferior ao valor do imóvel | Capital em dívida próximo ou acima do valor de mercado do imóvel |
Prestação mais baixa não é o mesmo que menos dívida
Antes de avançar, há duas comparações que deve mesmo fazer, e que vão além do que a prestação mensal mostra:
- Compare o TAEG e o MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor) da proposta de consolidação com a soma do que pagaria se mantivesse os créditos atuais até ao fim. É este número, e não a prestação mensal isolada, que lhe diz se está mesmo a poupar.
- Pergunte-se se consegue manter a disciplina orçamental depois de consolidar. A folga financeira só se traduz em benefício efetivo se for usada para reforçar a sua situação e não para abrir espaço a novos créditos.
Um mutuante ou intermediário de crédito responsável deve mostrar-lhe estes números antes de avançar, e não apenas o valor da nova prestação.
A Financial Liberty pode ajudá-lo na decisão de consolidar créditos
O nosso papel não é dizer-lhe que o crédito consolidado é sempre a solução, é ajudá-lo a perceber se é, no seu caso concreto.
Como intermediário de crédito vinculado e registado junto do Banco de Portugal (nº 0002454), a Financial Liberty:
- Analisa a sua situação de forma honesta – olhamos para o total da dívida, o motivo pelo qual se acumulou, e se consolidar resolve mesmo o problema.
- Compara o custo total, não só a prestação – mostramos-lhe TAEG e MTIC das propostas, para que decida com dados concretos.
- Negocia com vários mutuantes, bancários e não bancários, para encontrar as condições mais adequadas ao seu perfil.
- É transparente quando não é a solução certa – se percebermos que o seu caso precisa de outro tipo de apoio, dizemos-lhe, mesmo que isso signifique não avançar com uma consolidação.
➡️ Fale connosco e perceba, com números concretos, se consolidar créditos é mesmo a solução para a sua situação.
Atinja a sua #LiberdadeFinanceira com a Financial Liberty.
Perguntas Frequentes sobre se faz sentido, ou não, consolidar créditos
Consolidar créditos reduz o valor total da minha dívida?
Não diretamente. O crédito consolidado reorganiza a dívida que já tem, geralmente com uma taxa de juro mais baixa e um prazo mais longo. Ou seja, reduz a prestação mensal, mas o valor total pago ao longo do contrato pode até ser mais alto se o prazo for significativamente alargado.
O crédito consolidado é o mesmo que renegociar diretamente com os meus credores?
Não. Na renegociação, mantém os créditos separados e tenta melhorar as condições de cada um junto do respectivo credor. No crédito consolidado, um novo mutuante liquida todos os créditos atuais e passa a ser o único credor, com um novo contrato único.
Depois de consolidar, posso voltar a contrair outros créditos?
Sim, não há impedimento legal. Mas fazê-lo sem rever o padrão de gastos que levou à consolidação tende a recriar o mesmo problema, agora com uma dívida adicional sobre a que já tinha reorganizado.
Se já tenho incumprimento, posso consolidar créditos?
Não. Ter prestações em atraso ou incumprimento registado impede a aprovação de um crédito consolidado. Nestes casos, a via adequada costuma ser o PERSI junto do seu mutuante atual, ou apoio especializado em reestruturação de dívida.
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