Já olhou para uma proposta de crédito e ficou com dúvidas sobre o que significa cada sigla?
TAN, TAEG, Spread, MTIC – quatro termos que aparecem em todos os documentos, mas que raramente vêm explicados de forma simples.
Neste artigo, explicamos cada uma delas em linguagem direta, mostramos como se relacionam entre si, e usamos um exemplo prático com números reais para que veja o impacto concreto na sua prestação e no custo total do crédito.
Spread: a margem do mutuante
O Spread é a margem de lucro que o mutuante aplica ao seu crédito. É a parte da taxa de juro que fica com a instituição, depois de cobrir o custo do dinheiro que empresta.
Ao contrário da Euribor, o Spread é definido no momento em que contrata o crédito e mantém-se fixo durante toda a duração do contrato (salvo raras exceções contratuais). É o valor que tem margem para negociar diretamente com o mutuante, com base no seu perfil de risco – histórico de crédito, rendimento, entrada disponível e produtos associados que esteja disposto a contratar.
É comum o mutuante oferecer um Spread mais baixo (uma “bonificação”) em troca da subscrição de outros produtos como PPR, cartão de crédito, domiciliação de ordenado, entre outros. Mas há um detalhe importante: esse Spread reduzido está condicionado a manter todos esses produtos ao longo do crédito. Se mais tarde cancelar algum, o Spread pode voltar ao valor base, mais alto.
TAN: a taxa de juro base
A TAN (Taxa Anual Nominal) é a soma do indexante (normalmente a Euribor, em créditos de taxa variável) com o Spread:
TAN = Euribor + Spread
É esta taxa que, aplicada ao capital em dívida, determina a componente de juros da sua prestação mensal.
Em créditos de taxa fixa, a TAN não depende da Euribor, é definida antecipadamente e mantém-se constante durante o período acordado.
TAEG: o custo total em percentagem anual
A TAEG (Taxa Anual de Encargos Efetiva Global) vai além da TAN: inclui não só os juros, mas também comissões, seguros obrigatórios, impostos e outros encargos associados ao crédito, tudo expresso numa única percentagem anual.
É por isso que duas propostas com a mesma TAN podem ter TAEGs bem diferentes – a que tiver mais comissões ou seguros mais caros vai ter uma TAEG mais alta, mesmo com a mesma taxa de juro base.
A TAEG não inclui, no entanto, todos os custos possíveis: ficam de fora, por exemplo, a comissão de reembolso antecipado, os custos notariais da escritura e os juros de mora em caso de incumprimento.
Nota: é fácil confundir a TAEG com a TAE (Taxa Anual Efetiva), outra sigla que por vezes aparece em propostas de crédito pessoal. A TAE é semelhante, mas exclui os impostos do cálculo e é usada sobretudo para comparar créditos com condições de pagamento diferentes entre si. Para o crédito habitação, o indicador de referência a usar é sempre a TAEG.
MTIC: o valor total que vai pagar
O MTIC (Montante Total Imputado ao Consumidor) é o indicador mais completo: soma o capital que pediu emprestado com todos os encargos que vai pagar ao longo de toda a vida do crédito – juros, comissões, seguros, tudo.
É o número que responde à pergunta mais direta de todas: no fim do contrato, quanto vai ter pago ao mutuante, no total?
Como se relacionam a TAN, TAEG, Spread e MTIC
| Indicador | O que representa | O que inclui |
| Spread | Margem de lucro do mutuante | Só a margem, negociável |
| TAN | Taxa de juro base do crédito | Indexante (ex: Euribor) + Spread |
| TAEG | Custo anual total em percentagem | TAN + comissões + seguros + impostos |
| MTIC | Custo total absoluto do crédito | Capital emprestado + todos os encargos, até ao fim do contrato |
Repare na progressão: cada indicador é mais completo do que o anterior. O Spread é só uma peça; o MTIC é o puzzle inteiro.
Um Exemplo Prático
Para ilustrar, vamos usar um crédito habitação, mas o raciocínio é igual para qualquer outro tipo de crédito. Imagine um crédito habitação de 200.000€, a 30 anos, com taxa variável:
- Euribor a 6 meses: 2,55%
- Spread: 1%
- TAN = 3,55%
Com esta TAN, a prestação mensal (só de capital e juros) ronda os 905€. Mas o mutuante também exige um seguro de vida e um seguro multirrisco, além de uma comissão de análise e decisão. Somando estes encargos à TAN, a proposta pode apresentar uma:
- TAEG de 3,95% – já reflete o custo anual total, incluindo os seguros
Ao longo dos 30 anos, somando capital, juros, seguros e comissões, o:
- MTIC ronda os 340.000€ – praticamente 140.000€ acima do capital que pediu emprestado
Se comparasse esta proposta com outra de um mutuante diferente, com Spread mais baixo mas seguros mais caros, a TAN pareceria melhor à primeira vista, mas a TAEG e o MTIC é que revelariam qual das duas é realmente mais barata.
Qual destes indicadores deve comparar primeiro?
Nunca compare propostas apenas pelo Spread ou pela prestação mensal. Como o próprio Banco de Portugal recomenda, a comparação séria faz-se sempre pela TAEG e pelo MTIC – são estes dois indicadores que ponderam a totalidade dos custos do crédito, e não apenas uma fatia dele.
Há, no entanto, uma condição para que essa comparação seja justa: o montante do empréstimo, o prazo e a modalidade de reembolso devem ser iguais em todas as propostas. Se um mutuante financiar 80% do valor da casa e outro financiar 90%, o MTIC da primeira proposta vai parecer mais baixo só porque o valor emprestado é menor, o que não significa que seja a melhor opção para si, sobretudo se não tiver poupanças para cobrir essa diferença de entrada.
Peça sempre a ficha de informação normalizada que a lei obriga o mutuante a entregar antes da contratação: no crédito habitação chama-se FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia); nos restantes tipos de crédito – pessoal, consolidado, automóvel – chama-se apenas FIN (Ficha de Informação Normalizada). É nesse documento que deve encontrar todos estes indicadores lado a lado, prontos a comparar.
Como a Financial Liberty pode ajudar com estes indicadores
Perceber estas siglas é o primeiro passo, mas comparar propostas de vários mutuantes, com seguros e comissões diferentes, exige tempo e alguma experiência técnica.
Como intermediário de crédito vinculado e registado junto do Banco de Portugal (nº 0002454), a Financial Liberty ajuda-o a:
- Interpretar a FINE de cada proposta – traduzimos os números para que perceba exatamente o que está a comparar.
- Calcular o MTIC de cada opção – incluindo o efeito de manter ou substituir os seguros associados.
- Negociar o Spread e as condições associadas junto de vários mutuantes, bancários e não bancários.
- Acompanhar todo o processo, da simulação à escritura.
➡️ Fale connosco e perceba, com números concretos, qual é mesmo a proposta de crédito mais vantajosa para si.
Atinja a sua #LiberdadeFinanceira com a Financial Liberty.
Perguntas frequentes sobre a TAN, TAEG, Spread e MTIC
Qual é a diferença entre TAN e TAEG?
A TAN é só a taxa de juro base (indexante + Spread). A TAEG inclui a TAN mais todos os outros custos do crédito, como comissões, seguros obrigatórios e impostos, sendo expressa numa única percentagem anual.
Porque é que duas propostas com o mesmo Spread podem ter TAEGs diferentes?
Porque a TAEG inclui também os seguros e as comissões associadas ao crédito. Se um mutuante exigir seguros mais caros ou cobrar mais comissões, a TAEG sobe, mesmo com o Spread e a TAN iguais.
O MTIC inclui todos os custos do crédito?
Praticamente todos: capital, juros, seguros e comissões ao longo de toda a vida do crédito. Ficam de fora apenas custos pontuais como a comissão de reembolso antecipado (caso decida amortizar) e as despesas notariais da escritura.
Devo escolher sempre o crédito com o Spread mais baixo?
Não necessariamente. Um Spread baixo pode vir acompanhado de seguros mais caros ou de mais comissões, resultando numa TAEG e num MTIC mais altos do que uma proposta com Spread ligeiramente superior. Compare sempre TAEG e MTIC, não só o Spread.
O que acontece se cancelar um produto associado ao Spread bonificado?
O Spread pode voltar ao valor base, mais alto do que o que tinha enquanto mantinha esse produto (PPR, cartão de crédito, domiciliação de ordenado, entre outros). Confirme sempre esta condição antes de aceitar uma bonificação de Spread.
TAEG e TAE são a mesma coisa?
Não. São parecidas, mas a TAE exclui os impostos do cálculo e é usada sobretudo para comparar créditos com condições de pagamento diferentes. Para crédito habitação, o indicador de referência a usar é a TAEG.
Onde encontro a TAN, a TAEG e o MTIC de uma proposta de crédito?
Na ficha de informação normalizada que o mutuante é obrigado a entregar por lei antes da assinatura do contrato, chamada FINE no crédito habitação, ou FIN nos restantes tipos de crédito (pessoal, consolidado, automóvel). É aí que deve procurar estes indicadores, lado a lado, para comparar propostas.
A TAEG mantém-se igual durante todo o crédito, mesmo com taxa variável?
Não é garantida. A TAEG apresentada na FINE é calculada com base nas condições disponíveis no momento da contratação, nomeadamente o valor da Euribor nesse momento. Se a Euribor subir ou descer ao longo do contrato, a TAEG também se altera, mesmo que o Spread se mantenha inalterado.
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